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agosto 16, 2016

Por que mais horas extras não indicam mais produtividade?


Produtividade não diz respeito apenas à quantidade de horas trabalhada. Esse conceito também está diretamente relacionado à qualidade das atividades desempenhadas por empregados, freelancers, gestores, etc. Nem sempre a produtividade cresce a partir de mais horas trabalhadas. Mas qual seria a fórmula ideal para equilibrar a relação entre horas extras e produtividade? Como render mais? Confira no post de hoje!

Qual o conceito de produtividade?

Com um mercado de trabalho cada vez mais complexo e atividades laborais que nem sempre se reduzem a uma função mecânica e repetitiva, é ainda mais importante entender o conceito de produtividade em todas as suas dimensões. Antigamente, o conceito de trabalho se resumia a uma atividade simples, que exigia pouco treinamento, quase nenhum pensamento crítico e mínima criatividade. Esse conceito mudou.

Produtividade hoje em dia está diretamente relacionada a ambientes de trabalho inovadores, dinâmicos, de alta complexidade e muito trabalho em equipe. É preciso que o empregado raciocine rápido e busque caminhos cada vez mais eficientes para obter melhores resultados.

Tendo em vista essa multifuncionalidade e trabalhos cada vez mais intelectuais, nem sempre um aumento de horas de trabalho corresponderá a uma produtividade maior. Será então que aumentar as horas de trabalho é bom para a empresa, o time, e até mesmo para o empregado?

Horas extras podem ser um fator de produtividade?

Surge então a questão: as horas extras são mesmo um fator de produtividade? Várias pessoas se fazem essa mesma pergunta há um bom tempo. Especialmente nas décadas de 1930, 1940 e 1950, com o modelo fordista de racionalização das linhas de produção, estudou-se minuciosamente a rotina do trabalhador, bem como formas de torná-la mais eficiente. O limite de quarenta horas semanais é resultado dessas pesquisas.

Naquela época, observou-se que um aumento para além dessa rotina semanal poderia causar, na verdade, produtividade até 75% pior do que a normal. Ou seja, valeria muito mais a pena para um empregador contratar mais empregados para realizar essas mesmas funções do que elevar o número de horas trabalhadas.

Será que com todas essas mudanças no ambiente de trabalho essa lógica foi mantida? Afinal, as atividades se tornaram cada vez mais intelectuais, menos mecanizadas. Se o fator produtividade estiver diretamente relacionado apenas a aspectos físicos, talvez um aumento de horas de trabalho intelectual não fosse tão prejudicial assim. E, realmente, há um movimento para aumentar as horas trabalhadas. As empresas querem empregados com alta disponibilidade, que possam se adequar às mais variadas necessidades da empresa, seja em termos de horas de trabalho, seja em relação à qualidade do serviço prestado.

Por que não se deixar levar pelo aumento médio no número de horas trabalhadas?

Ainda que isso seja uma tendência em muitas empresas atualmente, mais horas extras não se traduzem necessariamente em maior produtividade. Claro que é preciso particularizar cada caso à realidade de sua empresa, ao perfil de seus empregados, bem como ao tipo de atividade que eles realizam. No entanto, vários estudos consideram que esse aumento de horas trabalhadas pode não ter o resultado desejado.

No caso de um estudo do Instituto Randstad na Austrália e Nova Zelândia, por exemplo, descobriu-se que empregados que têm um equilíbrio maior entre trabalho e vida pessoal acabam se mantendo por mais tempo em seus empregos. Vários entrevistados acreditam que trabalhar mais de cinquenta horas semanais não é necessário para a manutenção de bons empregos e se sentem desmotivados a fazê-lo.

Agora, do ponto de vista do empregador, que tal refletir sobre os custos de treinamento, adaptação e até mesmo dispensa de empregados em contextos de trabalho de alta rotatividade? Se essa é a realidade de uma empresa devido ao alto número de horas trabalhadas por semana, talvez seja preciso repensar se essa é mesmo a melhor estratégia para manter a relação custo-benefício de uma política tão desgastante para os empregados.

Quais os benefícios de uma rotina de trabalho mais saudável?

Na verdade, existem diversos benefícios relacionados a uma rotina de trabalho mais equilibrada, com horas suficientes de trabalho e de descanso no dia a dia dos empregados. Por exemplo, se um empregado não trabalha tantas horas por semana, mas consegue ter tempo de qualidade com sua família e amigos, terá maior propensão para se manter nesse tipo de emprego. Sua motivação para trabalhar será maior, o que se refletirá em maior qualidade das atividades realizadas. Consequentemente, haverá maior produtividade.

Além disso, há outros benefícios relacionados a esse tipo de jornada balanceada. Por exemplo, o índice de estresse em razão do trabalho diminuirá, bem como as doenças relacionadas a rotinas de trabalho desgastantes e longas. Isso reduzirá as licenças por razões médicas, o que também pode representar ganhos para sua empresa. Trabalhadores que estão com o sono em dia terão mais atenção ao desempenhar suas funções, bem como maior disposição para o trabalho. Assim, se preocupar com a saúde física e mental de seus empregados deveria ser prioridade para aquelas empresas que querem aumentar os índices de produtividade. Nem sempre isso é atingido por meio de mais horas trabalhadas.

O que a Suíça já aprendeu em relação à carga horária?

Você conhece a experiência da Suíça nesse tema? Por lá, a jornada semanal de trabalho costuma não passar das 35 a 40 horas (cerca de seis horas por dia), o que faz com que os trabalhadores do país tenham ótimos índices de satisfação com o trabalho. De acordo com um estudo da OCDE, a Suíça tem também uma das populações mais felizes do mundo.

Essa limitação no número de horas também é feita por lei, o que demonstra que essa é uma política pública do governo suíço. Como consequência, o país tem também níveis ótimos de emprego da população economicamente ativa, ao contrário de várias potências econômicas, como os Estados Unidos. Ou seja, a redução na jornada de trabalho também pode servir aos interesses governamentais de redução dos níveis nacionais de desemprego!

E você, como lida a produtividade de seus times? Se você ainda tem dúvidas sobre a relação entre horas extras e produtividade, deixe aqui sua questão nos comentários! Participe!




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